CARICATAS

 

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ENTREVISTA


"AMOR COM HUMOR"

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"O PRECONCEITO É A MAIOR FORMA DE VIOLÊNCIA"
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O presente trabalho visa mostrar a seriedade, competência e dedicação à nossa cultura popular carioca. É um grupo que há quinze anos conseguiu seu merecido espaço no carnaval.
Heloísa Terêncio

PR2 – Trabalho de pesquisa com uma personalidade do carnaval.

Fontes de consulta:
Entrevista com o idealizador do grupo Embaixada das Caricatas – Adagoberto Arruda.
1. Qual é o seu verdadeiro nome?
• Adagoberto Arruda.

2. Qual o nome do seu personagem no carnaval?
• Sandra Helena.

3. Onde você nasceu?
• No Rio de Janeiro, Copacabana.

4. Como você iniciou no mundo do Samba?
• Desde criança no “Pagode do Arruda” (meu pai). Na rua Inhangá, bairro Copacabana.

5. Você exerce outra profissão além de artista?
• Sim. Sou Professor.

6. Qual a escola de samba de sua preferência?
• Acadêmicos do Salgueiro.

7. Quais os eventos populares que você participou?
• Palco sobre Rodas; Rio Folia; Terreirão do Samba; Bailes Populares, sempre tendo como base o carnaval do Rio de Janeiro.

8. O que o levou a fundar a Embaixada das Caricatas?
• Devido à dificuldade no mercado de trabalho para atores, imaginei uma atividade que pudesse dar prazer e ao mesmo tempo mexer com a cultura popular, especificamente o Carnaval. Nesta época falava-se sobre a construção dos quiosques, através do Rio Orla. Apresentei um projeto (1989) à Riotur, com a intenção de formação de platéias de teatro e isso aconteceria após um alegre chá.

9. A Embaixada das Caricatas sofreu algum tipo de preconceito no mundo do samba?
• No início todas as pessoas ficaram temerosas com a ida de atores, convidados pela Riotur, para ocupar a barraca N° 1 do “Terreirão do Samba”, pois até então o local abrigava “o Barracão do Sambista” do mestre Cazuza da Mangueira, achando que seríamos discriminados pelo fato de estarmos fantasiados de garçonete. Desde o início procuramos estabelecer para barraca uma produção teatral: Onde a barraca era o cenário, as bebidas e comidas elementos cênicos e a fantasia uma indumentária. O público de imediato entendeu. Porém, os intelectuais resolveram chacotear o nosso trabalho, pois não tinham idéia do termo Caricata, achando que um homem vestido de mulher teria de ser homossexual e não como no teatro grego.

10. Mas vocês resistiram?
• Começamos a perceber que a barraca era um sucesso e que havia caído na preferência dos homossexuais, que gastavam muito e pagavam com regularidade, coisa que não acontecia com as outras barracas do Terreirão, onde o calote era a tônica. Resolvemos tomar a frente do nosso principal público, mostrando que o carnaval é realizado na sua grande maioria por homossexuais.

11. A Embaixada das Caricatas recebeu o apoio do Universo Carnavalesco?
• Os artistas foram receptivos a idéia e perceberam que o povo gostava do tipo de carnaval proposto pela barraca, procurando não agredir, não aceitando provocações, artistas como Genaro da Bahia, Bete Carvalho, Alcione, João Nogueira, Martinho da Vila, Leci Brandão, Jovelina Pérola Negra, entre outros.

12. Apesar da Embaixada das caricatas, ser composta por homens, como é a aceitação pelo público infantil?
• É extraordinário vê-lo embarcando no mundo do faz de conta, dando importância às “tias”, que não possuem aspecto feminino.

13. Como é buscar temas interessantes para serem abordados anualmente no carnaval?
• Sempre procuramos tirar a inspiração para os temas os acontecimentos do cotidiano ou algo de relevância que tenha ocorrido no país. Sempre com uma dose exagerada de humor, como exemplo: “As Viúvas do Presidente” em 1998, “As Garçonetes da Limpeza” em 2002, “As Garçonetes da UTI” e para este ano de 2006 seremos “As Garçonetes Debutantes” em homenagem aos 15 anos Terreirão.

14. Como surgiu a idéia que resultou na caracterização?
• Sou componente da Banda de Ipanema há mais de trinta anos e outros tantos do Cordão do Bola Preta e sempre procurei a inversão como forma de comunicação no Carnaval. Então resolvi que poderíamos misturar o Teatro Grego, com o Teatro Kabuki, com o Teatro Romano e com a Banda de Ipanema, para criar um clima brasileiro para as personagens, que serviriam seus “clientes/platéia” como se estivessem brincando de vender e eles brincando de comprar, deu certo!

15.Com relação aos títulos que a Embaixada oferece todos os anos quais
são eles e quem são os merecedores?
• RAINHAS: (sempre uma caricata) 1997... HANAH SUZART, 1998... SAMANTHA ALUCARD, 1999... LORNA WASHINGTON, 2000... LADY BYNYDYCTHA, 2001... WALESKA RAYMOND, 2002... ISABELITA DOS PATINS, 2003... VANESSA WILLIAMS, 2004... ROGÉRIA, 2005... SAMMYLE CUNHA e para 2006... SUZY BRASIL
• MUSAS: (sempre uma atriz) 1999... SELMINHA SORRISO, 2000... VELUMA, 2001... VELUMA, 2002... NEILA TAVARES, 2003... FRANCYNE LOREN, 2004... MONIQUE CRETON, 2005... ILÉA FERRAZ e para 2006... SARITO RODRIGUES
• EMBAIXADORES: 1994... foram 03: ALBINO PINHEIRO, HAROLDO COSTA e RODRIGO FARIAS LIMA, 2005... MILTON CUNHA. Deu para perceber que os Embaixadores são em número bem menor?

16.Como é a relação do grupo durante as atividades da barraca?
• Nosso relacionamento é muito bom, porque respeitamos nossas individualidades, até porque somos todos amigos de longas datas.

17.Fora do Carnaval as Caricatas costumam se apresentar?
• Procuramos levar a alegria do carnaval para os locais onde somos convidados. Transmitindo a energia dos folguedos de momo em qualquer situação, tais como: Festas juninas, eventos empresariais, etc.

18. Que mensagem você daria aos foliões do Rio de Janeiro?
• Nesse período conturbado por problemas no cenário político-social brasileiro desejo que as pessoas esqueçam as agruras da vida e se entreguem ao comando momesco, e divirtam-se com paz saúde e tranqüilidade, não esquecendo o uso da camisinha.

19. Por último de Adagoberto Arruda para o curso:
• Gostaria de externar minha alegria ao ler na revista Ensaio Geral a criação do pioneiríssimo Instituto do Carnaval e no momento, lisonjeado com o convite para participar de maneira modesta da formação cultural dos seus integrantes.